Apagão deixa Paraty às escuras durante a Flip e escancara crise no fornecimento de energia
- Wagner Rodrigues
- há 2 dias
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A noite que deveria ser de celebração à literatura terminou no escuro em Paraty. Em plena realização da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), um apagão atingiu praticamente toda a cidade na noite de quinta-feira, dia 23, deixando moradores, comerciantes e milhares de turistas sem energia elétrica.
O fornecimento só começou a ser normalizado durante a madrugada desta sexta-feira, dia 24, em mais um episódio que expõe a fragilidade do sistema operado pela Enel.
Muito além dos transtornos provocados durante um dos principais eventos culturais do país, a falta de energia evidenciou um problema antigo, que há anos faz parte da rotina dos paratienses. Oscilações constantes, interrupções prolongadas e demora no restabelecimento do serviço já se tornaram frequentes, afetando bairros urbanos, comunidades rurais, o comércio local e o setor turístico.
A diferença, desta vez, é que o apagão aconteceu quando Paraty estava sob os holofotes do Brasil e do mundo. Enquanto escritores, jornalistas e visitantes acompanhavam a programação da Flip, a cidade histórica mergulhava na escuridão, revelando uma realidade conhecida por quem vive no município.
As críticas à concessionária não são novidade. O prefeito Zezé Porto tem cobrado reiteradamente investimentos na rede elétrica e melhorias na prestação do serviço.
Na Câmara Municipal, vereadores também acumulam manifestações, requerimentos e cobranças direcionadas à Enel, denunciando a precariedade da infraestrutura e os prejuízos causados pelos constantes apagões. Ainda assim, pouco mudou na prática.
Para comerciantes, cada interrupção representa perdas financeiras. Para moradores, significa conviver com alimentos estragados, equipamentos danificados e a incerteza de quando a energia será restabelecida. Já para o turismo, principal motor da economia local, episódios como o desta semana comprometem a imagem de um destino reconhecido internacionalmente.
É impossível ignorar a ironia da situação. Enquanto Paraty recebe visitantes do mundo inteiro para discutir cultura, conhecimento e desenvolvimento, sua população continua enfrentando um problema básico, a falta de um serviço de energia elétrica confiável.
Talvez o apagão ocorrido durante a Flip aumente a pressão sobre a concessionária e desperte a atenção de órgãos fiscalizadores. Mas o que a população espera não é uma solução apenas quando a cidade ganha projeção nacional. O que os paratienses reivindicam há anos é respeito. Porque viver às escuras, à mercê da ineficiência de uma concessionária, não pode ser tratado como algo normal.





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