Histórias da Santa e Una
- Estandarte Angrense

- 21 de fev.
- 2 min de leitura

*Por Annie Ramos
Junto com a alegria dos foliões no Carnaval, temos, todos os anos, aquela velha discussão moral: o cristão pode viver a alegria do Carnaval?
Parece uma pergunta simples; contudo, as respostas são as mais confusas possíveis. O pobre jovem cristão fica entre o medo de ir para o inferno por ter pulado um bloquinho e o outro extremo, que é simplesmente viver o Carnaval como se cristãos não fôssemos.
Nesses momentos, é uma dádiva sermos católicos, porque, assim como Jesus, na intimidade da amizade com seus discípulos, revelava os mistérios de suas parábolas e ensinamentos — que aqueles homens não tinham habilidade para compreender sozinhos —, a Igreja, que é mãe, também, por meio do magistério, repete o gesto do Mestre e sempre nos ensina, na intimidade, sobre os detalhes da vida.
Coisas simples podem aprisionar uma alma na tibieza de uma fé baseada no medo, e não no amor. Veja: Jesus nos ensinou que o que torna o homem impuro não é o que entra pela boca, mas o que sai dela, pois é o que vem do coração que é capaz de contaminar verdadeiramente o ser humano (Mt 15,11-20). Isso não serve apenas para a comida, mas para tudo o que vivemos e com o que convivemos em nossa jornada terrena.
Então, e o Carnaval? A Igreja nos ensina que este é um tempo propício ao exercício do discernimento. O Carnaval em si é moralmente neutro; contudo, os ambientes e contextos podem torná-lo santo ou o seu contrário. E como discernir, afinal? “A ninguém é dada a permissão para pecar” (Eclo 15,21). A alegria do Carnaval não pode ser desculpa para nos perdermos daquilo em que acreditamos, mas também não precisamos ter medo de sermos alegres. O segredo está em responder à seguinte pergunta: de onde vem a sua alegria?
Pois a alegria do Senhor é a nossa força, e não pode haver outra fonte de paz, porque Jesus é a nossa paz. Nele está escondida a nossa alegria, a nossa vida. O cuidado com o corpo, com as vestimentas, o respeito com o outro, com os nossos… tudo isso deve derivar do amor, não do medo. O autocuidado e o cuidado com o outro devem ser fruto do amor a Deus, que se torna fértil e nos impulsiona a amar o próximo.
O autoconhecimento é fundamental para que possamos entender e respeitar nossas limitações. Carnaval não é tempo de testar os próprios limites, mas de viver a alegria que vem do Senhor; de refletir sobre a alegria passageira deste mundo e de nos prepararmos para este momento tão importante que começamos a viver agora: a Quaresma.
Que nos preparemos com paz, autoconhecimento, discernimento e fé para vivermos intensamente todos os dias do nosso ano — e que a alegria do Senhor seja a nossa força.
Annie Ramos é produtora cultural, militante da arte, da cultura e da educação pública e de qualidade — e, antes de tudo, Católica Apostólica Romana.





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