Nos Trilhos do Poder
- Wagner Rodrigues
- 12 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Por Wagner Rodrigues
Xeque no Bispo
No xadrez só a rainha é capaz de comer o bispo. E, nos corredores de um setor ligado à energia que move o país — onde cada erro pesa toneladas — já se cochicha quem será a rainha disposta a dar o xeque-mate.
Segundo fontes da coluna, há pelo menos duas figuras de peso afiando a coroa: uma liderança técnica respeitada em Brasília e uma gestora de perfil pragmático que não tolera amadores travando engrenagens tão sensíveis. Ambas observam, calculam e aguardam apenas o instante preciso para derrubar a peça que, hoje, mais atrapalha do que joga.
E o bispo? Não articula, não entrega e não inspira. Só aumenta o ruído, emperra decisões e transforma um ambiente estratégico em um labirinto de indecisões. A avaliação é dura: sua permanência custa caro — em tempo, paciência e qualidade de vida de quem precisa que o setor funcione.
Paraty, a Cidade Judicializada
Ah, Paraty… cidade linda, patrimônio da humanidade, mas com uma política que mais parece um tribunal permanente. Por lá, tudo acaba judicializado, de indicações de cargos a desavenças eleitorais.
Adversários que nas urnas foram rejeitados por maioria esmagadora da população agora apelam para o tapetão, tentando no grito o que o voto negou.
Mas, no meio desse vendaval jurídico e de egos, surge uma figura que vem conquistando respeito e destaque: o vereador Eric Porto. Jovem, firme em suas convicções e defensor aguerrido de sua cidade, ele tem mostrado que é possível fazer política de forma limpa e propositiva, sem medo de contrariar o establishment local.
Na Paraty das belas fachadas coloniais e dos bastidores incendiários, Eric tem se tornado uma peça valiosa, talvez o novo jogador a reorganizar o tabuleiro.
Camargo: Vozes das Águas Silenciadas
O Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, será palco, nos dias 13 e 14 de novembro, de uma importante série de painéis sob o tema “Para Além da Escravidão”. E Angra dos Reis estará em pauta, através da memória do navio escravagista Camargo.
A embarcação, que naufragou em 1852 na baía angrense, carrega uma história de dor e resistência. Por décadas silenciada, agora enfim trazida à tona por meio da pesquisa de arqueologia subaquática e de memória conduzida pelo Instituto AfrOrigens (UFBA), em parceria com UFF, UFS e o Smithsonian Institution (EUA).
Também no Museu Histórica Nacional, uma exposição ficará aberta ao público até março de 2026, e trará um simbolismo poderoso: a água do mar de Angra, testemunha silenciosa do passado, que agora se torna instrumento de memória e justiça histórica.
Memória Operária e o Silêncio de Volta Redonda
Neste 9 de novembro, completam-se 37 anos do Massacre da CSN, em Volta Redonda, uma das páginas mais dolorosas e simbólicas da luta operária brasileira.
Três metalúrgicos: William, Valmir e Barroso, tombaram sob as balas da repressão enquanto lutavam por dignidade e melhores condições de trabalho.A data marca a coragem de uma classe que não se curvava diante do poder. Mas também levanta uma reflexão incômoda: como pôde uma cidade com tamanha consciência de classe ter se tornado o que é hoje?
Volta Redonda, berço de um sindicalismo aguerrido, parece hoje adormecida, envolta em um silêncio que contrasta com o barulho dos fornos da siderurgia. Talvez falte o calor humano que um dia incendiou a esperança de um Brasil mais justo.
O Adeus ao Poeta das Montanhas
O domingo adormeceu em dó menor. O trem azul da eternidade levou Lô Borges, um dos grandes gênios do Clube da Esquina, deixando a música brasileira ainda mais órfã.
Mineiro da alma, discreto por natureza, Lô era aquele tipo raro de artista que falava pouco, mas dizia tudo em acordes. Sua genialidade atravessou gerações, unindo poesia e melodia como se fossem irmãos de sangue.
Partiu o poeta das montanhas, mas fica o eco doce das canções que embalaram tantas vidas, sonhos e amores.
Um Café nas Alterosas
Daqui das montanhas alterosas, este humilde jornalista encerra a edição com um café forte, pão de queijo quentinho e o coração em paz.Porque, no fim das contas, viver é isso: sentir o aroma do café, ouvir o barulho do vento e deixar o amor acontecer sem pressa.
A vida pede leveza e um pouco de doçura. Que nunca nos falte coragem para amar, recomeçar e brindar o amanhecer com alma tranquila e sorriso no rosto.





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