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Bloco Afro Tudo Pela Dinha celebra 15 anos de axé, memória e resistência

  • Foto do escritor: Estandarte Angrense
    Estandarte Angrense
  • 10 de fev.
  • 2 min de leitura
Agremiação foi a única selecionada de Angra no edital “Blocos nas Ruas RJ 2026”
Agremiação foi a única selecionada de Angra no edital “Blocos nas Ruas RJ 2026”

 

O Bloco Afro Tudo Pela Dinha chega ao Carnaval 2026 celebrando seus 15 anos de existência com o enredo “Entre o Mar e o Tambor: 15 Anos de Axé e Resistência”, uma homenagem à ancestralidade afro-brasileira, à natureza sagrada da Ilha Grande e à luta das mulheres por dignidade, igualdade e liberdade.

 

Fundado em 2011, na Ilha Grande, o bloco nasceu como um gesto de solidariedade e resistência em apoio a Dinha Dias, mulher negra, quilombola, artista e produtora cultural da comunidade, que teve sua casa incendiada. Da dor transformada em união, o bloco consolidou-se como manifestação cultural e política, simbolizando a superação, a força feminina e a afirmação da cultura afro-caiçara. Ao longo de sua trajetória, tornou-se presença constante no Carnaval da Ilha Grande e integra o calendário cultural do município.

 

Em 2026, o Bloco Tudo Pela Dinha assume plenamente sua identidade como Bloco Afro — identidade que sempre esteve presente em seus desfiles por meio dos tambores, cantos, danças e símbolos ancestrais. Neste ano, estreia com bateria afro própria, composta por tambores, surdos, caixas, timbaus e agogôs, além de uma ala frontal coreografada, que abrirá o cortejo com movimento, beleza e axé. O desfile será embalado por sambas históricos do bloco e cantos de elevação do povo negro.

 

Um marco importante desta edição é que o Bloco Afro Tudo Pela Dinha foi o único bloco de Angra dos Reis selecionado no edital estadual “Blocos nas Ruas RJ 2026”, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECEC) — reconhecimento que reforça sua relevância artística, social e territorial. O bloco também conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Angra dos Reis e é representado pela Associação SOS Ilha Grande, reconhecida como Ponto de Cultura.

 

Antes do Carnaval, nos dias 9 e 12 de fevereiro de 2026, o bloco realiza oficinas gratuitas de confecção de fantasias e adereços sustentáveis na Casa de Cultura Constantino Cokotós, fortalecendo o protagonismo feminino e gerando renda para mulheres da comunidade, que produzem peças para o desfile e para venda a turistas e outros blocos.

 

Outro destaque é a tradicional Roda de Samba da Madame, realizada uma semana antes do Carnaval, em homenagem a Madame Satã — ícone da diversidade, resistência negra e cultura popular, que viveu seus últimos anos e está enterrado na Vila do Abraão. O evento reúne centenas de moradores e visitantes e reafirma o compromisso do bloco com a pluralidade cultural.

 

O desfile acontece na terça-feira de Carnaval, 17 de fevereiro de 2026, pelas ruas da Vila do Abraão, com concentração às 17h na Rua Getúlio Vargas esquina com Rua de Santana e saída às 20h, seguindo até o Palco do Samba, na Praia do Abraão.

 

O Bloco Afro Tudo Pela Dinha não é apenas carnaval: é cuidado, pertencimento, resistência e celebração da vida — entre o mar que acolhe e o tambor que ecoa a ancestralidade.

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