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Contos do Miro Lopes

  • Foto do escritor: Wagner Rodrigues
    Wagner Rodrigues
  • 16 de out. de 2025
  • 2 min de leitura
Conta a Lenda...
Conta a Lenda...

 

Por Miro Lopes


No último domingo, fui ao chá de bebê da Anna Júlia. Antes, deixa eu explicar: o filho de dona Toquinha (não de touca; é que, quando a veneranda matriarca era criança, chamavam-na de um “toquinho” de gente. Daí, Toquinha! Por mais carinhoso que fosse o apelido, hoje seria bullying, né?!)...

 

Não tinha meu chá preferido. Compreensível. Saí carregado de brindes, lembrancinhas, bolo e doces. Pedi ao guarda da portaria que não me revistasse, para não passar vergonha.

 

Isto dito, vamos ao próximo papo...

Conta a lenda que o estilista Pierre Cardin, italiano naturalizado francês e ícone da moda na última metade do século passado, resolveu investir no ramo gastronômico — no Brasil, assim como já tinha feito em Nova York e no Japão. Escolheu a torre do magnífico condomínio de lojas de Botafogo, o Rio Sul, para instalar seu novo sonho: o Maxim’s. Era isso, o máximo!

 

Preparou uma inauguração em grande estilo, com serviço — claro! — à francesa, regado a Dom Pérignon, champanhe Cristal e conhaque Hennessy (hoje mais barato que uma garrafa de cachaça Havana, lá de Salinas-MG), e até charutos cubanos. (Não sei se tinha, mas vá lá! Onde tem Hennessy, tem charuto!) A nata da sociedade carioca foi convidada.

 

Sob luzes de lustres de cristal e sobre tapetes vermelhos importados, com copos também de cristal, pratos de porcelana e talheres banhados a ouro, o ‘high society’ tupiniquim refestelou-se. Quem não?! À mesa, como convém: escargot, caviar — ovas de esturjão pescadas no Pacífico, na fronteira entre Rússia e China (a geopolítica muda tanto que não sei mais se é lá mesmo!) — dois, três pratos para cada comensal, e a pièce de résistance, o prato principal, premiado pelo guia Michelin, que só premiava um restaurante a cada dez anos.

 

Pois bem, ao final da grandiosa noitada, monsieur Pierre Cardin, muito aplaudido, elogiado e cumprimentado, não teve tempo de se recompor das emoções. Uma maior fez com que ele se levantasse como se estivesse em um pesadelo, olhos arregalados, gesticulando freneticamente:— Cadê meus talheres dourados???

 

Desmaiou e estatelado foi ao chão. Correria total da criadagem.

 

Posso afirmar: não fui eu que sumiu com os talheres… O filho da dona Toquinha nem fora convidado! E, convenhamos, gente chique e rica não revista ninguém.

 

PS: O único restaurante chique que se deu bem no Rio, mantendo-se original desde a inauguração, há mais de um século, é o Cipriani, anexo ao Copacabana Palace. Lá, o premiado bartender Raimundo Rodrigues oferecia, a certo amigo, uma taça de champanhe todas as vezes que ele aparecia. Sorria, periferia!

 


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