Definitiva Cia. de Teatro leva ao palco angrense uma imersão poética sobre vida, morte e o jogo do ator
- Fernanda Camargo
- 20 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Nos dias 5 e 6 de novembro, o palco do Teatro Municipal Theóphilo Massad, em Angra dos Reis, se transforma em arena de investigação artística com a chegada da Circulação Definitiva, projeto da carioca Definitiva Cia. de Teatro. O coletivo, em atividade desde 2008, traz à cidade dois espetáculos que condensam quase duas décadas de pesquisa sobre presença, escuta e jogo cênico: O Susto e Princípio da Incerteza. A iniciativa é mais uma ação realizada com fomento da Política Nacional Aldir Blanc.
Mais que apresentações, as obras são resultado do método “Exercícios de Atuação”, concebido pelo diretor e pesquisador Jefferson Almeida. O trabalho parte da atoralidade — a presença do ator como centro da criação — e propõe um teatro em que o gesto e o silêncio têm peso igual à palavra. “Nos interessa o ator em estado de jogo, em permanente invenção de si e do outro”, resume Jeff, mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO.
Antes das apresentações, a companhia oferece, no dia 1º de novembro, duas oficinas gratuitas na Casa Larangeiras, reafirmando o compromisso com a formação artística. Pela manhã, Escutar-Jogar, conduzida por Jefferson Almeida, exercita a escuta coletiva e a presença cênica. À tarde,
O Artista Produtor, com João Vítor Novaes, aborda as estratégias de gestão e produção de projetos culturais. As inscrições estão abertas até 27 de outubro pelo e-mail definitivaciadeteatro@gmail.com.
O Susto: o riso diante da morte
A sessão de abertura, no dia 5, apresenta O Susto, solo da atriz Tamires Nascimento que transforma o tema da morte em matéria de humor e delicadeza. O espetáculo revisita o luto como rito de passagem e celebração — ora íntimo, ora coletivo —, entrelaçando experiências autobiográficas e fabulares.
Entre lembranças reais e personagens inventados, a atriz conduz o público por uma travessia sensorial que culmina em um gurufim festivo — um velório reinventado como ode à vida. A dramaturgia de Livs e a direção de Jefferson Almeida criam uma narrativa que se move entre a confissão e o mito, em um delicado equilíbrio entre dor e encantamento.
Princípio da Incerteza: o duelo entre irmãos
Na noite seguinte, 6 de novembro, é a vez de Princípio da Incerteza, encenação com João Vítor Novaes e Marcelo de Paula. Inspirada em romances como Esaú e Jacó (Machado de Assis), Caim (José Saramago) e Dois Irmãos (Milton Hatoum), a peça coloca os atores em um embate contínuo entre o real e o ficcional, entre o amor e a destruição.
No elenco, destaca-se o angrense João Vítor Novaes, artista que iniciou sua trajetória no histórico grupo Cutucurim e hoje é reconhecido como o principal pesquisador local sobre a história do teatro amador em Angra dos Reis. Sua presença no espetáculo simboliza um reencontro entre a cena contemporânea e as raízes do fazer teatral angrense, unindo memória e experimentação.
Com dramaturgia de Rosyane Trotta, o espetáculo se constrói como um jogo de espelhos — cada gesto, cada pausa, um convite à dúvida. O público é levado a perceber o teatro como acontecimento vivo, onde o instante é também criação estética.





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