Documentário sobre Madame Satã inspira pedido de tombamento histórico na Ilha Grande
- Fernanda Camargo
- 16 de out. de 2025
- 1 min de leitura

Um documentário produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo de Angra dos Reis vem mobilizando a comunidade da Ilha Grande e reacendendo o debate sobre memória e preservação cultural no país. “Madame Satã na Ilha Grande: A História de um Ícone da Cultura e da Diversidade”, com direção de Célia Cunha, retrata a trajetória de João Francisco dos Santos, o lendário Madame Satã — homem negro, gay, artista transformista e símbolo de resistência.
Preso no antigo Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande, após uma vida marcada por enfrentamentos com a polícia e episódios de autodefesa em um contexto de intensa perseguição a pessoas negras, capoeiristas e LGBTQIAPN+, Madame Satã encontrou na ilha o cenário de sua redenção. Depois de liberto, permaneceu no local, tornando-se um querido morador: um exímio cozinheiro e boleiro, lembrado pelos bolos que marcaram casamentos e festas no vilarejo do Abraão.
Produzido por profissionais da própria ilha, o filme inspirou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a estudar o reconhecimento do túmulo de Madame Satã como patrimônio cultural — um marco que pode se tornar o primeiro tombamento com temática LGBTQIAPN+ do Brasil.
Com linguagem acessível, recursos de inclusão e participações de Chico Buarque e Nando Cunha, o documentário celebra a resistência, a diversidade e o legado histórico de um dos personagens mais emblemáticos da cultura brasileira e que escolheu Angra para viver e ser enterrado.





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